Comissão aprova acordo Mercosul-UE; texto segue para plenário da Câmara
Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2026    11h30

Comissão aprova acordo Mercosul-UE; texto segue para plenário da Câmara

Texto agora segue para análise no plenário da Câmara; acordo prevê tratado de livre comércio entre países que integram os blocos

Fonte: Anna Júlia Lopes, da CNN Brasil
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
Sessão da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, colegiado que analisa o acordo Mersul-UE

 

A Parlasul (Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul) aprovou na manhã desta terça-feira (24) o acordo de livre comércio entre o bloco e a União Europeia.

Ligado ao Congresso Nacional e o Mercosul (Mercado Comum do Sul), o colegiado é formado por 10 senadores e 27 deputados federais. Com a aprovação do texto pela Parlasul, o acordo agora segue para a análise no plenário da Câmara dos Deputados, e, depois, no plenário do Senado Federal.

A expectativa é de que, na Câmara, o acordo seja votado ainda hoje, em regime de urgência. O presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a votação seria uma das prioridades dos congressistas nesta semana.

Relatado pelo deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), o texto prevê, além da redução de impostos de importação, regras visando facilitar o comércio de serviços, compras governamentais, propriedade intelectual e barreiras técnicas.

O tratado foi assinado entre os dois blocos em 17 de janeiro, depois de mais de 20 anos de negociações. Agora, o acordo precisa ser aprovado por maioria simples no Parlamento Europeu e ratificado pelos parlamentos nacionais de cada país do Mercosul.

No entanto, caso o acordo seja aprovado pelo Congresso brasileiro e pelo Parlamento Europeu ainda no primeiro semestre, o Brasil não dependerá da ratificação dos parlamentos de outros países do Mercosul para que o tratado entre em vigor.

Segundo o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), a expectativa do governo é de que o tratado entre em vigência no Brasil ainda em 2026, no segundo semestre do ano.

Na América do Sul, o texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados da Argentina e por uma comissão especial equivalente ao Parlasul no Uruguai.

Acordo entre Mercosul e União Europeia

O acordo Mercosul-União Europeia é um tratado comercial negociado entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a União Europeia para reduzir tarifas e facilitar o comércio entre os dois blocos. O objetivo é aumentar o fluxo de exportações e importações, abrir mercados e promover cooperação econômica.

A parceria entre os blocos pode ampliar o acesso dos consumidores brasileiros a itens como azeite de oliva, chocolates, queijos e vinhos. No caso das exportações pelo Brasil, o acordo prevê a eliminação de tarifas para produtos como carnes, açúcar, etanol, suco de laranja, café e celulose.

Quanto aos minerais críticos, utilizados para baterias e considerados essenciais para a transição energética, também haverá uma isenção tarifária.

O Brasil é o país com a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo e, com o texto, também poderá ter maior acesso a equipamentos tecnológicos europeus utilizados na mineração, o que tende a reduzir custos e facilitar o acesso da indústria brasileira a tecnologias de ponta.

Salvaguardas

Com a preocupação de que a venda de produtos de agricultores europeus poderia ser prejudicada em detrimento das importações baratas e das normas ambientais mais brandas dos países do Mercosul, o Parlamento Europeu aprovou a adoção de salvaguardas, com o objetivo de limitar o crescimento das exportações do bloco sul-americano.

As salvaguardas podem suspender os descontos aplicados nas tarifas de importação a produtos agrícolas do bloco sul-americano se eles prejudicarem produtores europeus.

Embora o mecanismo tenha causado descontentamento entre os países do Mercosul, o bloco aceitou a condição para que pudesse salvar o tratado.

No entanto, agora com o acordo assinado, as salvaguardas causam preocupação entre o agronegócio brasileiro, principalmente nos setores de laticínios e de vinhos.

Na avaliação da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), as salvaguardas podem tirar a competitividade do Brasil e que, desta forma, o país não pode aceitar assimetrias. Com isso, o setor vem defendendo a criação de instrumentos complementares, para proteger o agro brasileiro.

Também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o vice-presidente Geraldo Alckmin já afirmou que o governo irá regulamentar por decreto as salvaguardas, para que produtos europeus também possam ter seus descontos de importação suspensos caso prejudiquem os produtores brasileiros.

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