Preocupado com a incerteza do cenário comercial após a derrubada do tarifaço de Donald Trump pela Suprema Corte americana, o Brasil vai apostar grande parte de suas fichas no encontro que ocorrerá entre o presidente dos Estados Unidos e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois devem se reunir em março na Casa Branca, pondo fim a uma longa espera do governo brasileiro.
Fontes do governo defendem que Lula pise em ovos e evite qualquer tipo de atrito com Trump até que se concretize a reunião. O tom a ser mantido daqui para a frente deve ser semelhante ao adotado por Lula durante a coletiva que concedeu na Índia, onde defendeu o diálogo direto com o presidente dos Estados Unidos.
O sucesso de uma nova leva de conversas a respeito do tarifaço é tida como altamente estratégica inclusive para o projeto de reeleição de Lula, dada a relevância que o tema da soberania nacional tomou no embate com o bolsonarismo.
Diversos setores da economia brasileira se beneficiaram de imediato da derrubada do tarifaço, pelo fato de a nova tarifa global de 15% anunciada por Trump representar um alívio para determinadas indústrias, com paridade em relação a concorrentes. Mas auxiliares de Lula alertam para o risco de novas taxas serem anunciadas nas próximas semanas.
Há atenção especial para setores em que as exportações interessam mais ao Brasil que aos Estados Unidos. Um exemplo mencionado por fontes do governo é o setor de máquinas e equipamentos.
Como a CNN revelou no ano passado, Lula deseja um encontro com Trump na Casa Branca desde que foram dados os primeiros passos do diálogo com o presidente dos Estados Unidos. O brasileiro sempre enxergou uma reunião na sede oficial do governo dos Estados Unidos como um sinal de prestígio do Brasil na relação bilateral.
Quando Brasil e Estados Unidos começaram a negociar as tarifas, esvaziando a ofensiva bolsonarista em solo americano, Lula e Trump tiveram um primeiro encontro durante uma viagem oficial à Malásia, em outubro. Lula preferia ir aos Estados Unidos e se encontrar com Trump na Casa Branca, mas se satisfez com a abertura do diálogo em um território tido como neutro.