Em agenda no Rio Grande do Sul nesta terça-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não vai "ficar chorando" pelo fato de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter aplicado tarifas comerciais sobre produtos brasileiros.
"Ah, o Trump nos taxou? Tudo bem. Eu não vou ficar chorando. Eu vou procurar alguém para comprar aquilo que ele não quer comprar. Não vou ficar lamentando", disse o petista durante evento na cidade de Rio Grande, no extremo-sul gaúcho.
Em agosto de 2025, os EUA passaram a impor uma tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros. Na ocasião, Trump justificou a decisão por uma "emergência nacional" em razão de políticas e ações do governo brasileiro classificadas por Washington como "incomuns" e "extraordinárias".
No entanto, em novembro passado, os EUA decidiram reduzir a tarifa para certos produtos, como café, carne bovina, petróleo e frutas. A decisão foi tomada dias após Lula e Trump se encontrarem em Kuala Lumpur, na Malásia, durante reunião de cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático).
Trump quer governar o mundo pelo Twitter, diz LulaMais cedo, Lula afirmou em outra cerimônia na mesma cidade gaúcha que Trump "quer governar o mundo pelo Twitter". No momento da fala a respeito do líder norte-americano, o chefe do Planalto criticava o uso excessivo de aparelhos celulares — tema recorrente nos discursos de Lula.
"No meu gabinete é proibido entrar com celular. Vocês já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter? É fantástico. Todo dia ele fala alguma coisa e o mundo também fala uma coisa. É possível eu tratar o povo com respeito se eu não olhar na cara de vocês?", declarou o petista.
Trump convida Lula para "Conselho de Paz"Na semana passada, Trump convidou Lula para participar do "Conselho de Paz" que supervisionará a reconstrução da Faixa de Gaza.
Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, o convite foi enviado diretamente para Lula via embaixada brasileira em Washington, D.C., na tarde de sexta-feira (16) e encaminhado ao Itamaraty.
A expectativa é que Lula responda ao convite nesta semana. Fontes do Planalto relataram à CNN Brasil que as primeiras análises no entorno do chefe do Executivo são críticas à proposta de Trump.
A avaliação é a de que, da forma como está concebido, o conselho deixa poder excessivo nas mãos de Trump, com o presidente decidindo a pauta e quais países integrarão o colegiado.
Por ora, a ordem no Planalto é avaliar com cautela a proposta e fazer consultas internas e a outros países antes de dar uma resposta definitiva aos Estados Unidos.