Massacre em Gaza: Israel não tem "limite ético", diz Itamaraty
Sábado, 02 de Março de 2024    08h51

Massacre em Gaza: Israel não tem "limite ético", diz Itamaraty

MRE abandona moderação sobre incidente envolvendo militares. "Uma situação intolerável, que vai muito além da necessária apuração de responsabilidades pelos mortos e feridos", diz a nota. Lula se diz chocado com indiferença mundial

Fonte: Aline Brito e Victor Correia/CB
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula se reúne com o secretário-geral da ONU, António Guterres, em Kingstown, capital de São Vicente e Granadinas

 

O massacre de civis palestinos famintos, mortos ao cercaram, na quinta-feira, um comboio humanitário na Faixa de Gaza, levou o Brasil a subir novamente o tom das críticas ao governo do premiê Benjamin Netanyahu. Primeiramente, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) emitiu uma dura nota, na qual classificou a matança como "intolerável" e afirmou que a ação de Israel "não tem qualquer limite ético ou legal". Quase ao mesmo tempo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) — de cuja cúpula participou — uma moção pelo fim do "genocídio" dos palestinos, a pretexto da guerra contra o Hamas.

A morte de 100 palestinos por cercarem um comboio humanitário — há uma investigação internacional para apurar se soldados israelenses atiraram contra eles —, levou o MRE a deixar de lado a histórica moderação nas notas que emite para condenar veementemente o episódio. "Uma situação intolerável, que vai muito além da necessária apuração de responsabilidades pelos mortos e feridos de ontem (quinta-feira). O governo Netanyahu volta a mostrar, por ações e declarações, que a ação militar em Gaza não tem qualquer limite ético ou legal. E cabe à comunidade internacional dar um basta para, somente assim, evitar novas atrocidades. A cada dia de hesitação, mais inocentes morrerão", cobrou a diplomacia brasileira, acrescentando que "a humanidade está falhando com os civis de Gaza. E é hora de evitar novos massacres".

Em Kingstown, capital de São Vicente e Granadinas — onde a Celac se reuniu —, Lula não apenas pediu novamente paz, como se confessou chocado com a indiferença da comunidade internacional sobre a situação naquela parte do Oriente Médio. "A tragédia humanitária em Gaza requer, de todos nós, a capacidade de dizer um basta para a punição coletiva que o governo de Israel impõe ao povo palestino. As pessoas estão morrendo na fila para obter comida. A indiferença da comunidade internacional é chocante", lamentou.

Aproveitando a presença no encontro do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, Lula propôs uma moção "pelo fim imediato desse genocídio". "As vidas dos reféns do Hamas também estão em jogo. Quero terminar dizendo para vocês que a nossa dignidade e humanidade estão em jogo. Por isso, é preciso parar a carnificina em nome da sobrevivência da humanidade", cobrou.

Venezuela

Lula aproveitou a presença de Nicolás Maduro na cúpula para uma reunião bilateral. O presidente venezuelano garantiu ao brasileiro que o país realizará eleições, no segundo semestre, e que teria fechado um acordo com partidos da oposição na Assembleia Nacional da Venezuela.

Maduro também assegurou a Lula que autorizará a presença de observadores internacionais no acompanhamento do pleito presidencial. A principal candidata da oposição ao Palácio Miraflores, Maria Corina Machado, foi considerada inelegível e o Parlamento do país ratificou o afastamento dela da corrida presidencial.

Maria Corina foi escolhida representante do principal bloco de oposição em uma eleição primária — obteve 92,35% dos votos dos parlamentares aliados.

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