O dilema do pecado nas redes
Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020    05h50

O dilema do pecado nas redes

Fonte: Voltemos ao Evangélio
Foto: Divulgação

 

  • Você está sendo manipulado.
  • Com que frequência?
  • O tempo todo.
  • “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol.” Eclesiastes 1:9

  • Por quem?
  • Pelo seu pecado mesmo. 
  • “Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.” Tiago 1.14

    O problema é sempre o outro. Sempre foi, desde o Éden.

    Por favor, não chame de dilema das redes o dilema que começa no coração humano, o dilema do pecado.

    Manipulação chamando manipulação de manipulação (e também desinformação) descreve muito bem os discursos atuais sobre as redes sociais, especialmente para falar de Facebook, Instagram e YouTube. Se você é adulto (de crianças falaremos no fim do texto) e com capacidade de raciocinar, não se deixe enganar com essa falta de novidades debaixo do sol. Falta para o mundo o reconhecimento da existência do pecado em nosso próprio coração e a existência de muito interesse de controle por trás dessas brigas por controlar a internet.

    “Mas nunca antes na história…”, tem certeza? Tenta de novo.

    Todo mundo deve pensar, você também! Informe-se!

    Tomando emprestado o título do livro do Rev. Wadislau Gomes, quero te chamar, crente, a buscar conhecimento e formar suas opiniões sobre o que aprendeu tomando a Palavra de Deus como base.

    Permita-me falar um pouco da minha experiência; apenas para apontar que estou acostumada aos bastidores desse meio. Eu sou formada em Comunicação Social há 10 anos e me especializei em publicidade e marketing digital, então eu sei como funcionam as mídias, sejam elas em rádio, jornais, televisão ou redes sociais. Eu acho muito bom que você saiba algo sobre esse mundo também, que você entenda minimamente que existem profissionais que trabalham para te fazer comprar e tudo é pensado para isso, desde sempre. Alegra-me ver as pessoas mais atentas a isso tudo, e quero te chamar a ir mais fundo. As estratégias apenas se aprimoram um pouco mais a cada ano, mas a intenção por trás delas é a mesma desde sempre (e desde sempre é uma afirmação que você vai ler muito aqui e em Eclesiastes. Ajuda-me, Salomão). Com as redes sociais e os algoritmos para direcionamento de marketing não é diferente. E, sinceramente, eu bato palmas para o avanço da personalização da propaganda.

    Já vem sendo assim em todo tempo. Talvez vivêssemos em tempos mais ingênuos como consumidores, não sei. Você acha, entretanto, que a televisão não é toda pensada para fazer você ficar na frente dela o máximo de tempo possível? Milimetricamente arquitetada para um tempo de propaganda que não faça você sair da tela. E, claro, a própria publicidade é montada com cores, sons e inúmeras estratégias para te fazer querer e te fazer comprar o que está sendo vendido, ainda que seja a compra de uma ideia. Quantos jingles e comerciais conhecemos como a palma da mão! Existem produtos e ideias e o alvo sempre é você.

    Nada novo debaixo do sol. O cuidado com seu próprio coração e ações que você tem que ter quando passa por um outdoor, que uma equipe enorme de publicitários preparou para te fazer pensar que precisa daquilo pelo resto da semana, é o mesmo que você tem que ter com a propaganda no seu feed.

    Isso é bom pra você?

    Quem tem que saber e decidir isso é você! Quem tem que se cuidar é você!

    Você acha que em algum momento da história da mídia, desde o jornal, alguém estava pensando se isso seria bom para você?

    O que os profissionais estão sempre pensando e trabalhando para acontecer é o consumo. O natural é o anunciante realmente acreditar que o produto dele é bom para você, em algum nível, e ele vai tentar te convencer disso. E, se for possível, usar até mesmo nossas tendências pecaminosas para nos convencer. Mas ninguém te obriga a pecar, você peca porque é pecador. O produto sempre foi você. O trabalho é feito em cima das suas fraquezas, até mesmo pelas cores usadas. É tudo pensado para você.

    Entender essa dinâmica da publicidade e propaganda é muito útil para que você saiba com o que está lidando e para, quem sabe, você até usar de case de sucesso (desculpe minha ironia). Mas, como cristão, somos chamados a usar a inteligência que Deus nos deu, julgar os benefícios e malefícios de todas as coisas na nossa vida e nas nossas lutas contra nossos pecados. Perceba que falei do seu próprio, também não tente jogar pra todos o que é um problema seu, pra não virar legalismo.

    Não aceite totalmente discursos prontos e fáceis, pois também há todo tipo de manipulação em documentários, artigos, tweets, posts e stories. Manipulação existe em todo lugar, e vem sendo assim desde que a serpente chamou Eva para conversar. Talvez ela tenha usado técnicas de manipulação para convencer a mulher e ela comprou. E a culpa é somente da serpente? Você não precisa ser manipulado por nada disso, pois você conhece toda a Verdade.

    Para quem as redes sociais são boas? Citarei alguns de muitos. Elas são ótimas para os pequenos empreendedores que conseguem divulgar seu trabalho tanto organicamente, quanto por anúncios de baixíssimo custo. Para uma pequena empresa, anunciar nas redes é muito mais barato do que na grande mídia. É bom para você que, de fato, começa a receber propagandas do que realmente te interessa. E vai que você queria mesmo aquilo, né? Imagino que já tenha acontecido de você descobrir alguma loja ou restaurante que ama em sua cidade através desse tipo de marketing. Bom para você que pode usá-las de formas muito boas e sábias para ser sal e luz. São inúmeras as possibilidade de usar positivamente as redes sociais.

    Para quem as redes sociais não são boas? Citarei alguns de muitos. Quem você acha que sai mais prejudicado com o baixo custo de divulgação que as redes sociais proporcionam através do sistema de leilão? Quem você acha que sai mais prejudicado com o fato de que nós não temos mais um só meio de audiovisual com fácil acesso e que escolhemos o que queremos ver e quando queremos ver no Youtube, por exemplo? Quem você acha que sai mais prejudicado com o fato de que eu não tenho mais televisão em casa há anos e nem preciso de milhões para anunciar meus produtos lá? É bem ruim também para você que usa as redes sociais para disseminar notícias mentirosas, gritar o que há de pior no seu coração e também pra você que não reconhece que seu consumismo desenfreado é culpa sua. São inúmeras as possibilidade de usar negativamente as redes sociais.

    As redes sociais não criam pecado, elas te mostram os seus

    Não caia nessa de achar que as redes sociais são culpadas por seu…

    …Consumismo;

    …Vício em jogos;

    …Falta de tempo;

    …Comparações;

    …Inveja;

    …Negligência familiar;

    …Negligência com devocional;

    …Qualquer falha, qualquer pecado.

    Quando você se depara com seu pecado não é porque ele foi criado sob responsabilidade do outro, seja o outro o que for ou quem for. O outro apenas te mostrou seu pecado. Vá a Cristo, arrependa-se e não volte a pecar.

    “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões;” Romanos 6:12

    Ou ainda como diz Tiago: “Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.” Tiago 1.14

    Você peca porque é pecador, mas pode não pecar

    Todos esses pecados moram dentro de cada um de nós e lutamos contra eles nessa peregrinação todos os dias, em diversas circunstâncias, não só virtual. Mas, não esqueçamos, nem por um segundo, que Deus já venceu essa batalha por nós. Já somos vencedores sobre o pecado e ele não nos domina mais! Morremos para o pecado quando fomos lavados pelo sangue de Jesus. Ele venceu em nosso lugar.

    Nesse “já, mas ainda não”, podemos não mais pecar, por causa de Cristo. Podemos ter a confiante certeza de que o Espírito que habita em nós está trabalhando em nossa santificação. Até o fim, estaremos santificados. Até lá, o pecado continuará tentando nos pegar, até nas redes sociais. Vigiemos! Por estarmos unidos com Cristo podemos dizer não para todos esses pecados. Não vamos confundir potencial para resistir ao pecado (que Deus providenciou) com a responsabilidade de resistir (que é nossa), como diz Jerry Bridges.

    Podemos, portanto, melhorar nossa dinâmica nas redes

    Você já leu meu outro texto onde falo sobre brilhar a luz de Cristo nas redes sociais? Sugiro que vá para ele depois daqui: Os dedos falam do que está cheio o coração.

    Visando complementar esse outro artigo, quero falar sobre nosso tempo dedicado ao celular. Talvez sem perceber, muitos de nós não estão passando tempo no celular nos intervalos das tarefas do dia. Estamos é fazendo as tarefas do dia nos intervalos do celular.

    O que eu quero sugerir é que organizemos nosso tempo para usar redes sociais da mesma forma que organizamos as outras tarefas no nosso dia. Não deixando para usar o celular nos intervalos entre as tarefas, pois no final das contas não é isso que fazemos. Seria bastante útil para nossa produtividade e até mesmo pro nosso tempo, colocar o tempo que vamos ficar no celular literalmente dentro da nossa agenda diária.

    Se o celular está solto na nossa organização, ele acaba dominando nosso tempo. 15 minutos estudando, 1 hora no Instagram. Seria melhor ser o contrário, né? Podemos tentar controlar melhor o foco total que damos às tarefas diárias.

    Nota: Sobre crianças

    São sua responsabilidade. Quem tem que se cuidar é você!

    Não terceirize o cuidado com seus filhos, nem para o controle da internet e muito menos para o Estado. Estar atento ao funcionamento da mídia é importantíssimo. E ainda mais importante é entender como é o coração dos pequenos.

    Crianças ainda estão aprendendo a discernir informações. Se você está permitindo que suas crianças tenham acesso às redes sociais, esteja junto, controle você o que o ela vê e faz e esteja atento a como os conteúdos estão afetando seus filhos. A mesma atenção que você tem que ter se a televisão estiver ligada, em canal aberto ou fechado.

    Explique ao seu filho que não é porque alguma criança mandou ele comprar batom que ele tem que querer comprar batom.

    De novo debaixo do sol, o Dilema das Redes não tem nada. É o mesmo velho dilema do coração caído e rebelde.

    Por: Ana Paula Nunes 

    Ana Paula Nunes é formada em Comunicação Social e pós-graduada em Política e Estratégia. Congrega na Igreja Presbiteriana Semear em Brasília, DF e é editora do Literatura & Redenção. Atualmente trabalha com comunicação no Governo e já trabalhou também como gerente de marketing na Editora Monergismo. Costuma escrever outros textos em medium.com/AnaPaulaNunes.
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