Equador tem novos confrontos em dia de greve geral
Quarta-feira, 09 de Outubro de 2019    16h03

Equador tem novos confrontos em dia de greve geral

Manifestações violentas começaram por todo o país depois que presidente cortou subsídios dos combustíveis. Autoridades prenderam quase 700 pessoas em uma semana de distúrbios, e dezenas de policiais ficaram feridos.

Fonte: G1
Foto: Reuters/Ivan Alvarado
Manifestantes correm perto de uma barricada em chamas durante um protesto contra as medidas de austeridade do presidente do Equador, Lenin Moreno, em Quito, Equador, nesta quarta (9)

 

Manifestantes realizam uma greve nacional e entram em confronto com forças de segurança em diferentes pontos do Equador nesta quarta-feira (9), enquanto o presidente Lenín Moreno se recusa a renunciar ou revogar as medidas de austeridade que desencadearam os piores tumultos em uma década.

Não há trânsito nas ruas e os negócios fecharam cedo em Quito e outras cidades durante a paralisação. As forças de segurança dispararam gás lacrimogêneo para dispersar centenas de manifestantes que marchavam perto do palácio presidencial no centro da capital Quito.

Manifestações violentas começaram por todo o país de 17 milhões de habitantes quando Moreno cortou os subsídios dos combustíveis, parte de um pacote de medidas alinhado a um empréstimo de US$ 4,2 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Há dias os manifestantes marcham e montam barricadas nas ruas com pneus em chamas. Jovens mascarados lançaram pedras contra as forças de segurança, que reagiram com gás lacrimogêneo e canhões de água.

As autoridades prenderam quase 700 pessoas em uma semana de distúrbios, e dezenas de policiais ficaram feridos.

Manifestante é ajudada durante confronto com forças de segurança em Quito no equador, nesta quarta (9) — Foto: AFP/Martín Bernetti

 

"O que o governo tem feito é recompensar os grandes bancos, os capitalistas, e punir os equatorianos pobres", disse Mesias Tatamuez, líder do sindicato coletivo Frente Unida dos Trabalhadores.

 

O Conaie, principal grupo indígena que levou cerca de 6 mil membros de áreas vizinhas de Quito à capital, disse que o governo Moreno está se comportando como uma "ditadura militar" ao declarar um estado de emergência e estabelecer um toque de recolher noturno.

Protesto contra Lenín Moreno em Quito, nesta quarta (9) — Foto: Reuters/Ivan Alvarado

 

Barricadas

Manifestantes voltaram a montar barricadas com escombros nas ruas na manhã desta quarta-feira, e as próprias forças de segurança interditaram uma grande ponte na cidade litorânea de Guayaquil para impedir protestos.

Moreno, de 66 anos, que sucedeu o líder de esquerda Rafael Correa em 2017, transferiu o governo para Guayaquil, onde tem havido menos tumultos do que em Quito.

Ele defendeu suas medidas econômicas e desafiou os pedidos de renúncia.

 

"Não sei por que deveria se estou tomando as decisões certas", disse o presidente na noite de terça-feira, argumentando que a grande dívida e o déficit fiscal do país exigem reformas que apertem o cinto.

 

Moreno também acusa seu antecessor, Rafael Correa (hoje em autoexílio na Bélgica), de orquestrar um "golpe".

Em discurso na noite de segunda, o atual presidente firmou que os protestos não são "uma manifestação de descontentamento social em decorrência de uma decisão do governo".

"Os saques, vandalismo e violência que vimos mostram que há uma motivação política organizada para desestabilizar o governo, romper a ordem constitucional e democrática", afirmou, agregando que Correa (seu antecessor e mentor político, antes de virar rival) e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, estão por trás desses "plano de desestabilização".

 

Em Bruxelas, Correa afirmou se tratar de uma "mentira". "(É absurdo) dizer que sou tão poderoso que com um iPhone em Bruxelas eu poderia liderar os protestos", declarou à Reuters. "A realidade é que as pessoas não aguentavam mais", em referência às medidas de austeridade implementadas por Moreno com apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

Correa também afirmou que "se necessário, voltarei (ao Equador). Eu teria de ser candidato a algo, por exemplo, a vice-presidente".

Apoio internacional

Nesta terça-feira, o governo equatoriano afirmou estar aberto à mediação internacional, pela ONU ou pela Igreja Católica, para pacificar o país.

Países latino-americanos com governos alinhados à direita, como Brasil, Colômbia, Argentina e Paraguai manifestaram apoio a Moreno. Nesta quarta, o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, afirmou em rede social que Conversou com seu homólogo equatoriano José Valencia, a quem reiterou "total apoio do Brasil à institucionalidade democrática no Equador em torno do Presidente Lenín Moreno", contra aqueles que "querem restabelecer ali o regime do Foro de São Paulo".

Manifestante marcham durante um protesto contra as medidas de austeridade do presidente do Equador, Lenin Moreno, em Quito, nesta quarta-feira (9) — Foto: Reuters/Daniel Tapia

 

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